quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

GEOFÍSICA x ÁREAS DE DESCARTE DE DRAGAGEM



Desde há muito (além dos anos 80) que os métodos geofísicos se tornaram métodos de investigação fundamentais para a viabilização de projetos de construção ou ampliação de portos em áreas costeiras. Batimetria, sonografia e perfilagem sísmica contínua, utilizando boomers, sparker, chirp etc... constituem um conjunto de métodos sísmicos de investigação amplamente utilizados em estudos geológicos destes ambientes, já que trazem à luz, informações fundamentais à implantação destes projetos: espessura da coluna d'água, espessura da coluna sedimentar, profundidade do embasamento rochoso, localização dos afloramentos rochosos entre outras características. Naquele tempo, o principal foco da investigação era a área do projeto propriamente dito e portanto somente na área de interesse eram desenvolvidos os processos investigativos. Não havia preocupação com a área de descarte do material a ser dragado para a viabilização do porto.

Os tempos mudaram e acredito para melhor!
Hoje, estudos semelhantes devem ser executados também nas áreas além costa, onde planeja-se o descarte do material dragado.

Assim, se faz necessário o conhecimento detalhado destas áreas: das suas características originais e das características adquiridas pós processo de deposição dos materiais dragados.

Certamente que métodos geofísicos tem muito a contribuir nestes estudos. Existem varias experiencias na Europa, Canadá e EUA mostrando a importância e o sucesso do uso destas ferramentas de investigação em projetos desta natureza. Vide Mosher & Currie 1997 e Blondel 2009. Tenho esse material caso alguem queira lê-los.

Basicamente a geofísica pode contribuir em estudos destas áreas de 3 maneiras distintas:

1 - por meio da clássica batimetria: pela simples comparação entre perfis batimétricos obtidos em periodos distintos ou da batimetria multifeixe, também comparando-se dados obtidos em periodos distintos. O produto desta análise vai informar, a partir das alterações da topografia da superficie de fundo, se ouve acúmulo de sedimentos no periodo analisado. Métodos mais modernos permitem ainda obter subprodutos de dados batimétricos intimamente relacionados com a natureza do fundo;

2 - por meio da sonografia: a comparação entre imagens do fundo oceânico obtidas em tempos distintos permite o monitoramento da superficie de fundo ao longo do processo de deposição. Mosher e Currie 1997, por exemplo executam monitoramente de área de descarte no Canadá utilizando sonar de varredura lateral obtendo resultados bem interessantes. Alterações na textura da superficie de fundo identificadas nas imagens do sonar de varredura lateral permitem concluir sobre o desenvolvimento do processo de deposição bem como mapeamento das alterações faciológicas ocorridas na superficie de fundo no processo de deposição e de dispersão dos sedimentos;

3 - por meio da perfilagem sísmica contínua: a execução de perfis sísmicos permite a identificação da espessura das camadas sedimentares acumuladas no periodo e portanto o acompanhamento do processo de deposição e erosão de sedimentos consequencia dos movimentos de descarte nas operações de dragagem.

Os resultados apresentados pelos três métodos geofísicos descritos acima serão sempre melhor analisados se confrontados com informações de naturezas diversas obtidas na área, a se destacar: medidas de correntes, análises de sedimentos de fundo, de sedimentos em suspensão etc.

Enfim, minha opinião pessoal é que nenhum outro conjunto de ferramentas pode trazer a luz o conjunto de informações reunidas a partir da execução dos ensaios descritos acima.
Cada um deles contribue individualmente para o processo de conhecimento da área de interesse, mas se executados em conjunto certamente conduzirá o interessado à uma melhor compreensão dos processos sedimentares atuantes na área de descarte, e por sua vez, das questões ambientais correlacionadas.
Finalmente, o produto do uso conjunto destas ferramentas de investigação, associado às demais contribuições dos outros métodos de investigação (amostragens de sedimentos de fundo, em suspensão etc) contribuem efetivamente para o processo de validação do modelo dinâmico proposto para a área.

Uma apresentação minha com slides ilustrando o potencial das ferramentas geofísicas neste contexto podem ser visualizadas no link abaixo:


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EMISSÁRIOS SUBMARINOS X GEOFÍSICA APLICADA

Como a geofísica aplicada contribui em projetos de emissários submarinos


O problema:

As empresas que gerenciam emissários submarinos nem sempre tem em mãos os projetos originais de lançamento dos mesmos na superfície de fundo, em especial quando se trata de projetos muito antigos. Mesmo tendo acesso aos projetos originais das rotas de lançamento dos emissários, não é garantido que eles continuem na posição original de lançamento.
A ação de correntes marinhas ao longo do tempo é inexorável e podem atuar no sentido de remover o emissário de sua posição original. Embarcações de grande porte podem também atuar produzindo efeito semelhante, ou seja, mover os emissários da posição estabelecida no projeto original.
Assim, quando há necessidade de revisão do projeto, ou de avaliação das condições de operação destes emissários, mapeá-los com precisão é essencial para se ter conhecimento:
1. da posição real e atual destes emissários;
2. do estado em que eles se encontram;
3. se estão enterrados ou ainda dispostos na superfície de fundo.

A solução:

Existem várias possibilidades de investigação da posição e das condições de operação de emissários submarinos.
Fotografias e filmagens submarinas são técnicas que podem ser empregadas neste tipo de investigação. Entretanto, a luminosidade restrita destes ambientes pode inviabilizar a aplicação deste método de observação.
A utilização de mergulhadores é outra alternativa, mas pode encontrar os mesmos problemas descritos acima, que, somados à presença de correntes marinhas costeiras, podem tornar ainda mais complexa a operação de aproximação dos mergulhadores das áreas de interesse.
Uma solução bastante interessante, moderna e eficiente, com excelente relação custo benefício, que pode ser aplicada em projetos desta natureza é a utilização de métodos geofísicos, em especial aqueles que empregam ondas acústicas.
Destacam-se neste contexto o sonar de varredura lateral e a perfilagem sísmica contínua. O primeiro utiliza sinais acústicos de alta freqüência e é empregado para detectar o emissário quando disposto e, portanto visível, na superfície de fundo, ou seja, no caso dele não estar enterrado. A perfilagem sísmica contínua, por outro lado, utiliza sinais acústicos de baixa freqüência que penetram na superfície de fundo, e assim, detectam o emissário mesmo que ele não esteja visível na superfície, ou seja, constituem ferramentas excelentes no caso dos emissários estarem enterrados na subsuperficie do fundo do mar.

Entre as muitas vantagens da utilização de métodos geofísicos em projetos desta natureza, podemos destacar:
1. São métodos indiretos de investigação e portanto não destrutivos, característica muito importante nos dias atuais, em que as questões ambientais assumem extrema relevância neste projetos;
2. São de rápida aplicação: em 2 ou 3 horas vários quilômetros da superfície de fundo podem ser mapeados com resolução centimétrica, possibilitando assim a cobertura de grandes áreas num curto intervalo de tempo;
3. São métodos de investigação que oferecem excelente relação custo/benefício;
4. Sua aplicação não depende de visibilidade ou transparência da coluna d'água. Dependem apenas das condições de navegabilidade do mar.

As informações obtidas por esse tipo de estudo são de grande interesse para as empresas que gerenciam emissários submarinos e dutos de qualquer natureza, nas regiões costeiras, e também nas áreas submersas interiores (rios e reservatórios) do Brasil.

As fotos ao lado ilustram a equipe do IPT em operação e os equipamentos utilizados nos experimentos realizados durante o mês de outubro de 2010. Nestes experimentos a equipe do IPT foi composta pelo Geól. Dr. Luiz A P Souza, pelo Geógr. Msc Nabil Alameddine e pelo Técnico em Geofísica Mauro M Ferreira. Os experimentos de campo foram também acompanhados pelo Eng. Dr. Eduardo Yassuda, da empresa ASA - South America.

Exemplos de produtos obtidos com a utilização do Sonar de varredura lateral:

O IPT realizou testes na região costeira de Santos - SP, utilizando um sonar de varredura lateral modelo Klein 3000, de dupla freqüência (100 e 500 kHz). As espetaculares imagens obtidas podem ser observadas na galeria de fotos a seguir. Nestas imagens é possível verificar claramente, e com grande detalhamento, a posição do emissário, suas dimensões e seu estado de conservação. A análise destas imagens permite concluir sobre quais trechos o emissário está está enterrado na subperficie de fundo, quais não, comprovando desta forma a eficiência deste método geofísico no mapeamento de precisão de emissários submarinos.
Observa-se que nestes ensaios não foram utilizados métodos acústicos para detecção dos emissários na porção onde estão enterrados, o que poderia ter sido feito utilizando-se de fontes acústicas do tipo boomer ou chirp, e que serão empregados na próxima etapa de experimentos.
As fotos seguir ilustram imagens obtidas do sonar de varredura lateral, equipamento adquirido pelo IPT em projeto financiado pela Finep, órgão do governo federal que financia projetos de pesquisa.





segunda-feira, 5 de julho de 2010

Chapada dos Veadeiros + Cidades históricas mineiras

Dicas da rota São Paulo – Chapada dos Veadeiros com sugestões de escalas interessantes

“Navegar é preciso”. Viajar também é preciso... Por água, por terra, por ar, não importa... sempre que fugimos da nossa rotina, nos sentimos melhor. Criamos outros valores e voltamos ao labor energizados !!!. O longo texto a seguir tem por objetivo colecionar dicas desta viagem aos interessados em fazer algo parecido ou para aqueles que simplesmente querem saber um pouco mais sobre este nosso imenso país.

Pois então, estas nossas férias decidimos conhecer um pouco mais do Brasil. Adentramo-nos pelo centro-oeste rumo a Chapada dos Veadeiros, com escala na cidade de Pirenópolis, que muito nos surpreendeu pela sua beleza e organização. Retornamos com escalas em cidades históricas de Minas Gerais (Cordisburgo, Santa Bárbara, Catas Altas, Mariana e Congonhas). Visitamos também o Caraça e fizemos a maioria das caminhadas disponíveis no parque.

Visitamos ainda o Instituto Inhotim, na cidade de Brumadinho, próximo de Belo Horizonte. Lugar especialíssimo, e a nosso ver, pouco divulgado. Trata-se certamente de local único no Brasil e na América do Sul, já que reúne num espaço amplo e belíssimo, vasta coleção de obras de arte contemporâneas, em ambiente adornado com jardins muito especiais, com botânica rara, de fato, um museu botânico. Se tiver uma oportunidade algum dia visite. Não se arrependerá. Esta fazenda recebe mais de 200 mil visitantes por ano. Gente de todo o mundo. È simplesmente espetacular. Dê uma olhada no site deles prá você ter uma idéia da dimensão do projeto (http://www.inhotim.org.br/). Fiz algumas fotos nesta visita que estão postadas em http://laps.multiply.com/photos/album/519/ .

Instituto Inhotim, Brumadinho, MG

Fechamos o roteiro com uma escala final em Monte Verde.

Algumas milhares de fotos foram feitas... megabytes e megabytes foram acumulados.

No endereço http://laps.multiply.com/photos/album/518 colocamos algumas fotos que dão uma idéia geral das paisagens que cruzamos ao longo de toda a viagem.

Na Chapada dos Veadeiros (http://www.chapada.com/ ) fizemos várias trilhas: as três possíveis dentro do Parque (Saltos, Carioquinhas e Janela), e as duas principais fora do parque: Raizama e Vale da Lua. Todas imperdíveis. No parque você gasta um dia para fazer cada uma das trilhas. Fora do Parque, é possível visitar pelo menos dois locais por dia. Visitamos também algumas áreas com lagoas de águas termais... bem interessantes para um mergulho depois de uma árdua caminhada. Todas as três trilhas do Parque são muito bonitas, e possuem belas paisagens para qualquer gosto: cerrado, cachoeiras, flores, aves etc. A mais difícil delas é a trilha denominada de Janela. Tem esse nome por levar o caminhante a um ponto que permite uma vista fantástica da Chapada. Esta trilha exige um pouquinho e talvez crianças e pessoas mais velhas sem preparo físico algum podem sofrer muito para atingir o ponto alto da trilha.

Trilhas no Parque da Chapada dos Veadeiros, GO

Hospedamo-nos na Pousada Mundo da Lua, na Vila de São Jorge: excelente pousada. Recomendamos fortemente. Fomos muito bem atendidos.

Nas trilhas dentro do Parque há necessidade de um guia. Basta chegar à portaria do parque e guias já se apresentarão. Em princípio não há necessidade de reservas, salvo claro, em períodos de alta estação ou feriados especiais. Eles cobram 60 reais a diária, independente da quantidade de pessoas (claro, limites existem). Nosso guia foi o Alex. Gente boa. Embora não haja necessidade, ele pode inclusive guiar grupos em passeios fora do parque no caso de alguém assim o preferir. O telefone dele é 062 99132705.

Na Chapada nos deparamos com paisagens belíssimas. Quase que impossível destacar alguma. Talvez o Vale da Lua pelas características geológicas tão peculiares mereça algum destaque. Por isso criei um espaço só com fotos deste local. Dê uma olhada em http://laps.multiply.com/photos/album/520.

Nosso roteiro de viagem se mostrou muito interessante, e assim, utilizo este blog para compartilhar as informações e observações anotadas com os colegas que freqüentam este blog. Sobre esse roteiro escrevo um pouquinho mais abaixo, na tentativa de contribuir com dicas objetivas de hotéis passeios etc...

Nosso roteiro:

Saímos de São Paulo e fizemos nossa primeira escala em Araguari. Ficamos no Hotel Palace no centro da Cidade:bem razoável com preços justos. Jantamos no Bar da Avenida onde comemos o bife mais duro de todos os tempos.

De Araguari partimos diretamente para Pirenópolis, pegando a estrada que passa por Catalão e vai direto a Anápolis. Ou seja, saímos da rota para Brasília. Economizamos uns 150 km com este procedimento.

Em Pirenópolis nos hospedamos na Pousada Casarão, onde a atendimento foi muito bom, com excelente café da manhã e um ambiente bastante acolhedor. Se tiver sorte pode até pegar um show do dono da Pousada que é um americano bem simpático que toca piano e canta. Lá vale a pena ficar pelo menos uns 4 dias. Tem pontos muito interessantes para se visitar, além de passeios ao redor com caminhadas de qualquer nível. Pelo menos tente ir ao Parque Pireneus. Fomos com um guia que cobra 80 reais a diária. De fato não é obrigado um guia para este passeio. De qualquer forma guias locais são sempre interessantes. Oportunidade para se ouvir um pouco da historia da cidade etc etc. Ao lado desta pousada tem uma casinha de turismo onde você pode conversar e discutir sobre as várias possibilidades de passeios na região. Existe na região uma tal de Cidade de Pedra que ficamos com vontade de ir ...mas acabamos não indo por conta de que optamos por assistir os jogos da nossa fatídica seleção! Em Pirenópolis tem muitas lojinhas com pedras, cristais e outros materiais de artesanato local... vale a pena comprar uns badulaques lá pra presentear os amigos. Outro ponto imperdível nesta cidade é a Fazenda Babilônia. Uma fazenda antiga, com uma sede muito bonita e com vários aspectos antigos devidamente preservados pela família proprietária do imóvel. A Telma, dona do imóvel, pacientemente te conta histórias e te explica cada detalhe da fazenda. Trate de fazer coincidir sua ida lá com um final de semana quando você terá diante dos seus olhos o maior e melhor café da manha do mundo!!! Você paga uma taxa de 8 reais para entrar. Se for tomar o café da manha, a entrada custa 30... te garanto que vale a pena. É um café da manha que vale por um almoço e quiçás por um jantar.

Pirenópolis, GO

De Pirenópolis para a Chapada dos Veadeiros você vai andar uns 300 km, talvez um pouco mais. O caminho normal vai te levar próximo a Brasília (ao norte) e de lá você vai pegar a rodovia GO-118. Nem vai entrar na cidade de Brasília, a não ser que queira. Nesta época de eleições de repente pode haver algum interesse especial !!!

Em Alto Paraíso placas na rodovia vão te indicar o caminho para São Jorge, que a nosso ver é o melhor local para ficar em termos de base para facilidades aos passeis na Chapada. Tem várias pousadas na cidade. Ficamos na Pousada Mundo da Lua que é muito legal e também com um preço justo: 95 reais a diária (nos finais de semana os preços costumam aumentar) confortável e ótimo café da manhã.

Da chapada depois de todos os passeios rumamos para Minas Gerais. Nesta rota fizemos uma primeira escala em Três Marias, depois de andarmos 700km. De Três Marias fomos para Brumadinho, com uma escala rápida em Cordisburgo, terra do Guimarães Rosa. Nesta cidade visitamos a centenária Gruta da Maquiné. Uma caverna calcárea muito interessante. Visitamos também, na cidade, a casa do Guimarães Rosa: tudo muito bem arrumadinho e interessante de ver.

Almoçamos em Cordisburgo e seguimos para Brumadinho que, aliás, é uma cidade bem feinha... mas que é a base para a visita ao Instituto Inhotim. Ficamos dois dias lá. Talvez um dia a mais fosse interessante. O instituto Inhotim tem projeto de ampliação em andamento o que certamente nos levará lá novamente, tamanha a beleza, e certamente importância, do local.

De Inhotim fomos para Santa Bárbara, MG. Nesta escala tínhamos como objetivo visitar o Parque do Caraça. Este parque possui um convento centenário pelo qual muitos ilustres brasileiros já passaram. Lugar belíssimo e muito bem conservado. Certamente local de visita obrigatória. Passamos um dia apenas lá. O ideal seria hospedar-se lá. Existe esta opção que me parece bem interessante, até porque estando lá certamente você vai ter o prazer de ver um logo Guará que todo final de tarde vai lá a busca de alimento: esta cena já virou rotina no Parque.

Nós optamos por ficar na cidade de Santa Bárbara pois queríamos conhecer um pouco mais a cidade, que além de construções antigas e histórias existe lá também a casa do Affonso Pena, que foi presidente do Brasil entre 1903 e 1906. Bem interessante o local, em especial pelo fato de que a prefeitura da cidade ter conseguindo em 2009 remover do Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro, para a cidade todos os restos mortais do ex-presidente, de sua esposa e de três filhos, com lápides de mármore de Carrara e tudo mais. No mínimo curioso este fato. Tudo foi instalado na casa onde nasceu o ex-presidente onde inclusive tem um museu muito bem organizado com a história do dito cujo. Vale a pena ver. Em Santa Bárbara nos hospedamos no maior hotel da Cidade... muito bom mesmo: Hotel Florenza: recomendamos.

De Santa Bárbara... rumamos para Congonhas com escala em Catas Altas e Mariana. Aliás, Catas Altas é outra cidadezinha que vale a pena fazer uma escala. Além de um visual belíssimo, aos pés da Serra do Caraça, tem lá um restaurante (HISTÓRIAS TABERNA) muito bom, muito mesmo. Ao passar por ali esta escala é quase que obrigatória.

Congonhas é uma cidade também meio feinha, não fosse o impressionante patrimônio historio no alto do morro com obras do Alejadinho. Obras realmente de valor inestimável. Por estas e por outras vale a pena fazer uma escala lá. Nos hospedamos no Hotel Colonial, que possui um excelente restaurante (Cova do Daniel) mas com as acomodações ... mais ou menos... não são lá estas coisas. A vantagem deste hotel é fica ao lado da Igreja, objeto da visita. Ficamos lá apenas uma noite, até por que o hotel não era lá tão aconchegante, de fato meia-boca!.Congonhas, MG

Finalmente rumamos para a última escala: Monte Verde. Onde fechamos com chave de ouro nossas férias, passando a noite na excelente pousada Ricanto Amore Mio, com localização muito especial na cidade.

É isso... espero que com estas palavras tenhamos contribuído com os potenciais viajantes deste país, maravilhoso país!!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

GEOFÍSICA x ÁREAS DE DESCARTE DE DRAGAGEM




Desde há muito (além dos anos 80) que os métodos geofísicos se tornaram métodos de investigação fundamentais para a viabilização de projetos de construção ou ampliação de portos em áreas costeiras. Batimetria, sonografia e perfilagem sísmica contínua, utilizando boomers, sparker, chirp etc... constituem um conjunto de métodos sísmicos de investigação amplamente utilizados em estudos geológicos destes ambientes, já que trazem à luz, informações fundamentais à implantação destes projetos: espessura da coluna d'água, espessura da coluna sedimentar, profundidade do embasamento rochoso, localização dos afloramentos rochosos entre outras características. Naquele tempo, o principal foco da investigação era a área do projeto propriamente dito e portanto somente na área de interesse eram desenvolvidos os processos investigativos. Não havia preocupação com a área de descarte do material a ser dragado para a viabilização do porto.

Os tempos mudaram e acredito para melhor!
Hoje, estudos semelhantes devem ser executados também nas áreas além costa, onde planeja-se o descarte do material dragado.

Assim, se faz necessário o conhecimento detalhado destas áreas: das suas características originais e das características adquiridas pós processo de deposição dos materiais dragados.

Certamente que métodos geofísicos tem muito a contribuir nestes estudos. Existem varias experiencias na Europa, Canadá e EUA mostrando a importância e o sucesso do uso destas ferramentas de investigação em projetos desta natureza. Vide Mosher & Currie 1997 e Blondel 2009. Tenho esse material caso alguem queira lê-los.

Basicamente a geofísica pode contribuir em estudos destas áreas de 3 maneiras distintas:

1 - por meio da clássica batimetria: pela simples comparação entre perfis batimétricos obtidos em periodos distintos ou da batimetria multifeixe, também comparando-se dados obtidos em periodos distintos. O produto desta análise vai informar, a partir das alterações da topografia da superficie de fundo, se ouve acúmulo de sedimentos no periodo analisado. Métodos mais modernos permitem ainda obter subprodutos de dados batimétricos intimamente relacionados com a natureza do fundo;

2 - por meio da sonografia: a comparação entre imagens do fundo oceânico obtidas em tempos distintos permite o monitoramento da superficie de fundo ao longo do processo de deposição. Mosher e Currie 1997, por exemplo executam monitoramente de área de descarte no Canadá utilizando sonar de varredura lateral obtendo resultados bem interessantes. Alterações na textura da superficie de fundo identificadas nas imagens do sonar de varredura lateral permitem concluir sobre o desenvolvimento do processo de deposição bem como mapeamento das alterações faciológicas ocorridas na superficie de fundo no processo de deposição e de dispersão dos sedimentos;

3 - por meio da perfilagem sísmica contínua: a execução de perfis sísmicos permite a identificação da espessura das camadas sedimentares acumuladas no periodo e portanto o acompanhamento do processo de deposição e erosão de sedimentos consequencia dos movimentos de descarte nas operações de dragagem.

Os resultados apresentados pelos três métodos geofísicos descritos acima serão sempre melhor analisados se confrontados com informações de naturezas diversas obtidas na área, a se destacar: medidas de correntes, análises de sedimentos de fundo, de sedimentos em suspensão etc.

Enfim, minha opinião pessoal é que nenhum outro conjunto de ferramentas pode trazer a luz o conjunto de informações reunidas a partir da execução dos ensaios descritos acima.
Cada um deles contribue individualmente para o processo de conhecimento da área de interesse, mas se executados em conjunto certamente conduzirá o interessado à uma melhor compreensão dos processos sedimentares atuantes na área de descarte, e por sua vez, das questões ambientais correlacionadas.
Finalmente, o produto do uso conjunto destas ferramentas de investigação, associado às demais contribuições dos outros métodos de investigação (amostragens de sedimentos de fundo, em suspensão etc) contribuem efetivamente para o processo de validação do modelo dinâmico proposto para a área.

Uma apresentação minha com slides ilustrando o potencial das ferramentas geofísicas neste contexto podem ser visualizadas no link abaixo:

http://laps.multiply.com/photos/album/506



terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Resolução x alcance lateral no sonar de varredura lateral



Com o avanço da tecnologia digital os métodos geofísicos se tornam a cada dia mais e mais interessantes e mais aplicáveis em questões de engenharia e ambientais.

Na investigação de áreas submersas, destaca-se o sonar de varredura lateral ou side scan sonar. Esta técnica permite a obtenção de imagens de fundo que em muitos aspectos se assemelham a fotografias aéreas, que obviamente nao podem ser usadas para mapeamento de superfícies submersas tendo em vista que a luz tem penetração limitada na coluna d'água.

Nos dias de hoje existem muitos modelos de sonares mas basicamente todos eles são configurados em função de duas propriedades básicas: alcance lateral e resolução. Se seu projeto prevê o mapemaento de áreas enormes (muitos quilômetros por muitos quilômetros).... você necessariamente vai ter que trabalhar com sonares que emitem frequencias menores que 100 khz, sob pena de voce passar o resto da vida mapeando...... (frequencias maiores implicam em varreduras laterais menores e portanto ... mais linhas devem ser executadas pra se cobrir uma mesma área)

Sonares que usam frequencias da ordem de 100 khz permitem varrer em cada linha de navegação algumas centenas de metros, não ramente, 1000 m de cada lado da embarcação. Ou seja ao voce navegar voce vai ver na tela do seu computador um área com até 2 km de largura . Alguns sistemas muito especiais (Sea Marc II, por exemplo) usam frequencias ainda menores (menos que 20 khz) permitindo ver áreas com algunas dezenas de quilômetros de largura.

Porém se seu objetivo é mapear detalhes da superficie de fundo.... sonares de alta frequencia vão ter que ser utilizados. Neste caso estamos falando de sonares com frequencias superiores a 300 khz. Alguns sistemas evoluiram e permitem opção de uso de uma ou por outra frequencia no mesmo peixe, o que vai ser uma decisao sua em função do objetivo do seu projeto.

Outros, ainda mais evoluidos, permitem o uso simultâneo de duas frequencias. O Klein 3000 é um destes: usa 100 e 500 khz simultaneamente, o que permite o mapeamento de áreas tão largas quando 900-1000 metros de cada lado, quanto ver detalhes em faixas de até 150 m de cada lado.

Quando ver os detalhes de uma superfície submersa é necessario e importante?

São muitos os casos onde detalhes são necessários: listos alguns apenas para se ter uma idéia do assunto....

1 - mapeamento de dutos (manutenção de dutos) e emissários submarinos
2 - mapeamento de embarcações naufragadas
3 - mapeamento de estruturas sedimentares
4 - monitoramento de áreas de depósito de rejeitos de dragagem
5 - mapeamento de atividade bentônica
6 - operações de busca ou salvamento de objetos ou estruturas de dimensões submétricas
7 - mapeamento de minas ou de mudanças texturais na superfície de fundo relacionadas a minas enterradas (questões relacionadas a segurança)
8 - mapeamento de margens de rios e reservatórios (monitoramento de processos erosivos)
Alguns registros obtidos recentemente no litoral norte de São Paulo ilustram os pontos discutidos nestes parágrafos. Vejam nestes registros que os detalhes das estruturas sedimentares são muito melhor visualizados nas imagens na parte superior dos registros (que sao aqueles oriundos de 500khz).

Observem a pobreza de detalhes no conteudo das imagens inferiores..... (oritundas de 100khz)

Por outro lado o afloramento rochoso mostrado num dos pares de registros não são tão diferentes quando observado em ambos os registros...

Outros registros ilustrando este tema podem ser observados no endereço www.lapsmultiply/photos/album/485

Daí o cuidado que deve ser tomado quando se decide executar um levantamento com um ou com outro sistema, ou melhor, o cuidado que deve ser tomado ao se decidir executar um levantamento com o sonar de varredura lateral priorizando resolução ou alcance lateral, duas propriedades até certo limite, incompatíveis.
Enfim, discussão proposta.... estamos abertos a evoluir nesta discussão. abçs ao interessados no asunto.



segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Não tive tempo de ler ainda ... mas dei uma boa folheada no livro The Handbook of Sidescan Sonar (Springer Praxis Books / Geophysical Sciences) de Philippe Blondel e me pareceu bastante interessante. Os amantes da arte de side scan sonar... certamente vão gostar. O livro fala sobre os conceitos básicos e principais aplicações deste método geofisico. Apresenta ilustrações e exemplos bastante interessantes. Não custa barato.. 150$ na amazon.com !!!

domingo, 22 de novembro de 2009

CALENDÁRIOS 2010


Nas horas de folga procuro manipular as fotos que fiz durante o ano visando a elaboração de calendários personalizados para presentear os amigos. Alguns exemplares são vistos acima. Outros estão disponíveis no endereço http://laps.multiply.com/photos/album/456. Como podem ver tem até calendários com motivos geofísicos!!! Este assunto já foi até pauta da revista de Fotografia Técnicas e Práticas n. 2 da Editora Europa. Escrevi lá um artigo mostrando como construir calendários personalizados como estes, dando algumas dicas aos principiantes (este artigo se encontra no mesmo diretório das fotos). Caso alguém se interesse por cópias ou mesmo em fazer um calendário destes com sua foto preferida é só entrar em contato (luizlaps@gmail.com) .